Arquivo da categoria: Meus Textos

Pastoreia minhas ovelhas…

12540585_472374266279872_3856910760271495567_n

Hoje fui até a pequena Campo Limpo Paulista, a 40 Km de São Paulo, reencontrar duas queridas irmãs sírias, refugiadas há um ano e três meses no Brasil, a fim de acompanhar uma gravação pro programa Domingo Espetacular, da Record, sobre a violência do Estado Islâmico. Normalmente não atendo os pedidos pra estas entrevistas, pois sempre acabamos expondo-os a reviver seus momentos mais traumáticos, suas mais profundas memórias, lugares sagrados onde só é possível caminhar descalço. Mas hoje abri um exceção e, na verdade, nas horas que passei ali, ouvindo novamente suas histórias, lembrei da tarde onde as encontrei pela primeira vez… e fui lembrando de muitas outras histórias, de tantos e tantos recomeços e restaurações que, pela graça do Pai, pude participar. Hoje reencontrei mesmo foi com meu chamado, minhas convicções, a razão pela qual faço o que faço há 30 anos.

Sou pastor. Cuido de gente, ovelhas que na verdade não são minhas, são do Supremo Pastor. Acredito em gente que a maioria não acredita, mas o Eterno acredita e pra mim isto basta. Caminho por sombras e becos existenciais em busca dos quebrados e deslocados, convidando-lhes pra vir pra luz, encorajando-as à vir pra mesa novamente, abraçando, ouvindo, rindo, chorando, compartilhando o Evangelho, as boas novas do perdão, da comunhão, da liberdade de seguir ao Nazareno.

Assim como aprendi com meus mestres, gente especial que o Pai colocou na minha estrada, procuro sempre ministrar esperança, amor, coragem… até que a graça faça o seu efeito e a vida viva do Eterno desabroche novamente. Foi assim na minha vida. Meu chamado então é o de andar pelo deserto com as pessoas, não vender mapas que os levem à parques de diversões gospel. Posso usar várias roupas…. Tenho a de músico, professor, conselheiro, pesquisador, carregador de mala, diretor de missão, pregador, motorista, missionário… mas debaixo de todas estas cascas, reconheço que o que tenho mesmo, e recebi DEle, foi um simples coração de pastor.

Sou pobre, assumidamente pobre. Não tenho nada a oferecer a ninguém a não ser Ele, sua Palavra, seu exemplo, sua vida, sua graça. Busco intensamente a integridade pessoal e vocacional. Não aquela plástica, artificial, superficial dos sorrisos educados. A integridade que carrego é a de ser assumidamente quebrado. De possuir rachaduras e defeitos de fabricação com os quais preciso lidar todos os dias. Minha esperança é que por entre estas rachaduras, o óleo do Eterno, derramado sobre mim, possa escorrer pra aqueles que estão ao meu lado.

Por que resolvi escrever tudo isso? Porque no encontro de hoje pude refletir novamente em meu chamado… e pode ser que outros aí deste lado estejam se perguntando se vale a pena, se Ele se importa… Talvez estas linhas sejam encontradas por pessoas perto de jogar a toalha. Gente cansada de apanhar de si mesmo, do inimigo, da vida, de outros, da igreja (instituição)…. Talvez tenha alguém num canto escuro, pequeno, numa pequena comunidade na esquina do mundo se perguntando se é hora de parar.

Pra você, especialmente pra você que se sente assim quero dizer que vale a pena! Apesar de tudo, lembre-se que o chamado pastoral é a coisa mais gloriosa que existe debaixo do céu. E Ele confiou este privilégio a você. Derramou óleo sobre sua cabeça. Lhe chamou, lhe enviou…Não duvide, não tema, não trema, não desanime, não desista… Atire-se de cabeça nos braços do Eterno, em confiança e fé. Ele lhe sustentará! Não olhe para o lado, comparando-se com outros… Olhe pra cima, olhe pra dentro. Somente Ele pode avaliar o seu valor e a importância daquilo que você está fazendo. Ele não usa o padrão de sucesso humano como critério.

Hoje lembrei novamente que, assim como nosso Senhor Jesus Cristo, não fomos chamados para o palco, para a performance, e sim para a fidelidade, para os braços do Pai. Não fazemos o que fazemos porque nos assegura alguma vantagem ou nos trará algum lucro. Ao contrário, ministério é lugar de renúncia, é um constante caminhar para o altar de sacrifício. Pastoreamos pessoas porque, pra nós, é a coisa certa a fazer. É a única coisa que não conseguimos não fazer. O Eterno decidiu amar o mundo, as pessoas, cada pessoa, através de gente como nós. Que assim seja, mais uma vez. Vamos em frente!

(Em tempo, é preciso dizer que sem o apoio incondicional e a cumplicidade ministerial da minha esposa, Val Prado e filhos, e sem as orações, encorajamento e investimento de muitos irmãos-amigos, este ministério não seria possível. Fica aqui registrada minha enorme gratidão a todos que caminham ao meu lado).

Casa Azul

Casa Refúgio 1Refugiados enfrentam diariamente desafios enormes, inimagináveis para a maioria de nós; entre eles: a perda de identidade, violência, discriminação, fome, falta de abrigo, falta de esperança e perda de poder econômico. Encaram jornadas perigosíssimas, como atravessar desertos, zonas de guerra, oceanos, expondo a si mesmos e aos seus familiares à morte, agarrando-se num fio de vida. Tornam-se vulneráveis às redes de tráfico humano, exploração sexual e tráfico de órgãos, pagando um preço altíssimo a ‘coiotes’ que, na maioria das vezes, lhes matam depois de haverem recebido o dinheiro.

Os que conseguem chegar a São Paulo, se não forem amparados, acabam ficando nas ruas, em invasões e assentamentos ilegais ou em precários albergues públicos.

A “Casa Azul” é uma ‘casa de passagem’ que tem como objetivo oferecer abrigo temporário, porém digno e gratuito, para migrantes e refugiados em situação de risco e vulnerabilidade social, até que consigam uma solução mais definitiva para sua moradia. A partir dela, oferecemos aulas de Português, orientação para a obtenção de documentação, apoio médico, dentário, psicológico e pastoral.

Este projeto é mantido totalmente por doações de pessoas físicas, sem nenhum convênio governamental. A casa fica na zona Oeste de São Paulo.

Para participar deste projeto, clique aqui.

Paz e dignidade a todos, pois Ele nos quer bem!

Renato e JoséPor muitos anos ‘seu Renato’ foi um homem em ‘situação de rua’, um mendigo. Sem família ou amigos, isolado do mundo por conta da cegueira causada pela catarata, fazia seu ponto no Largo do Paissandu e dormia sob as marquises próximas. Cabeça curvada, ombros caídos, cabelo desgrenhado, roupas em trapos, sujas e fedidas, voz fraca, sua postura e condição corporal denunciavam seu estado de alma. Um morto-vivo. Escuridão, fome, solidão, desespero e angústia eram suas companheiras.

Conheci-o em junho de 2013, quando foi levado pela mão por outros mendigos ao albergue da Missão Cena. Sempre quieto, contrastando com a agitação e barulho do ambiente, ficava pelos cantos aguardando com resignação que lhe levassem o prato de comida. Naquele inverno, semana após semana, pude ministrar sobre a vida de Jesus, baseado no Evangelho de João. Ao final de cada noite, conversávamos e orávamos juntos.

Seu Renato destacava-se não só por sua vulnerabilidade, mas também por sua fé. Ao final da noite, um a um os albergados dirigiam-se pra suas camas. Seu Renato não. Negava-se a deitar-se enquanto não orássemos com ele. A foto abaixo registra um desses momentos. Algumas vezes estava já indo embora quando era exortado por um dos voluntários: “Pastor, não vai orar pelo seu Renato? Ele está lá, esperando”! Trago na memória a imagem dele em pé, ao lado do colchão, sozinho, com a cabeça curvada, aguardando a oração…

A operação do Evangelho na vida de uma pessoa nunca é fruto do esforço isolado de uma pessoa. Ao contrário, muitos são coparticipantes da santa obra do Espírito. Registro aqui, portanto, minha gratidão e admiração por todo pessoal da Missão CENA, pelo João Carlos Batista Boca, missionários (Josimar Chaves da Silva), muitos voluntários ( Filipe Marques Silva Lopes, Daniel Marques Silva, Edison Amaral Lopes) que com grande empenho, sacrifício e fé, durante anos, têm investido na vida deste e de muitos outros “Renatos”, até que a imagem de Cristo seja formada na vida destas pessoas.

Mas permita-me compartilhar esta enorme e indescritível alegria de fazer parte DESTA história! Em dias de tantas desesperanças e tragédias, a história do seu Renato é para mim um marco, um memorial a ser preservado e cuidado com todo carinho. O Eterno continua sendo Deus! Cristo continua sendo especialista em transformar vidas quebradas e o Espírito Santo continua agindo em meio ao caos de nossas cidades, trazendo vida e glória aos que, aos olhos do sistema-mundo, nada são.

Encontrei com seu Renato esta semana. Aguardava por este dia. Foi um longo e gradual processo, mas aqui está um novo homem em todos os sentidos. Cheio de vida, voz forte, postura ereta, rosto e roupas limpas… Convertido ao amor e graça de Cristo, curado da catarata, restaurado emocional e socialmente, trabalha com dignidade no centro de São Paulo, distribuindo simpatia e cordialidade a todos!

Quando nós, povo da cruz, mesmo com toda a nossa pequenez, seguimos as pegadas do nosso Senhor Jesus Cristo, e acreditamos na força do Evangelho do amor, e servimos as pessoas com desprendimento, e oramos com fé… o Reino do bem se manifesta em todo seu poder e graça e glória.

Na falta de melhores palavras, convido-lhe a parafrasear os anjos… Glória a Deus nas maiores alturas e paz, dignidade, vida, amor e graça a todas as pessoas, nesta terra ferida, pois Ele nos quer bem!

O misterioso, silencioso, subversivo e incontrolável mover do Eterno

2015-11-03 11.40.43

Queridos, estou de volta ao Brasil, ainda sob o impacto da viagem. Impossível resumir o que vi e ouvi. Expresso, contudo, minha convicção: Em meio a esta enorme tragédia dos milhões de deslocados na Síria, Líbano, Iraque, Jordânia e Turquia, há um misterioso, silencioso, subversivo e incontrolável mover do Espírito de Vida.

Algo inexplicável e maravilhoso está acontecendo longe da atenção da mídia, dos governos e até mesmo da igreja institucionalizada. Um exemplo: Visitei um campo chamado de “campo das viúvas”, a menos de 10 km das forças do Estado Islâmico. Nesta região há uma aglomeração de cerca de meio milhão de refugiados sírios. Todos ali perderam terras, casas, emprego, familiares…

Gente que carrega camadas e mais camadas de diferentes lutos. Sem recursos para irem a outro lugar, tolerados por alguns, rejeitados violentamente por outros, submetidos às mais degradantes condições de vida, em frágeis barracas de lona, dependem diariamente da boa vontade de terceiros, que muitas vezes lhe exploram e violentam ainda mais.

Num cenário assim seria fácil se deixar convencer e abater pelos evidentes sinais de morte. Mas é justamente ali que o Eterno está agindo. Há uma enorme fome de vida, de genuína e abundante vida. O antigo poço em que bebiam secou-se repentinamente e tornou-se para eles uma fonte de veneno e morte. Seus próprios irmãos são os algozes de seu holocausto e aqueles que poderiam socorrer-lhes silenciam, afastam-se, dão-lhes as costas.

A magia da serpente, que lhes cegava e oprimia, está rapidamente esvaindo-se e, a cada dia, centenas, milhares (quem poderá contar?), acordam do sono da morte.

A primeira coisa que fazem ao acordar do sono da morte, do encanto da serpente, é perguntar por Jesus. Ah… Como é doce este Nome em seus lábios! Como têm fome de conhecer sua história, seus ensinos, seus milagres… Com o apoio de poucos mas valorosos voluntários do povo da Cruz, crianças e adultos aprendem a orar em nome de Jesus, que não se nega a lhes responder! Assim, respostas, curas e milagres são operados em resposta às preces sinceras e cheias de fé dos pequeninos. Estes sinais somente confirmam de forma inequívoca no coração deles que o Cordeiro está vivo e atento à sua dor! Não estão sozinhos, podem ter esperança!

À noite nos acampamentos ouve-se um rumor… Pouco a pouco vai se tornando mais forte que os gemidos de dor e de luto. É o som de centenas de grupos que se reúnem, informalmente, espontaneamente, nas frágeis barracas, pra contar, comentar e admirar as histórias do Messias.

Aqueles que conseguem ir em direção à Europa levam consigo, por onde passam, de cidade em cidade, de campo em campo, sua nova fé e esperança. Os mais pobres entre os pobres, os mais fracos, os vulneráveis e desprezados, encontraram força, esperança, vida e graça no testemunho de Jesus, o Cristo. Quem lhes impedirá de falar?

Quem poderia pensar, planejar ou sonhar com isso? Como disse Paulo, o apóstolo: “Ó profundidade da riqueza, da sabedoria e do conhecimento de D’us! Quão insondáveis são seus juízos e inescrutáveis os seus caminhos! Quem conheceu a mente do Senhor ou foi seu conselheiro…?”

Ficam as perguntas: as igrejas ressequidas do Oriente Médio e do Velho Continente acolherão estes novos irmãos? Deixar-se-ão evangelizar por estes pobres? Verão neles a face do Messias? Receberão deles este sangue novo, este novo alento vindo do Pai, ou também lhes rejeitarão como seus antigos irmãos?

E nós aqui do Brasil? Ficaremos à distância, olhando passivamente este mover extraordinário do Eterno, ou vamos somar forças e fazer o que estiver ao nosso alcance pra participar?

Continuo precisando de sua oração. Há muitas perguntas não respondidas. Como agir? O que priorizar? Quais projetos apoiar? Com quem nos associar? Busco no Senhor o discernimento, a sabedoria, a coragem, humildade e fé pra seguir as pegadas do Espírito. Almejo receber DEle os planos, os sonhos, os projetos.

Que tempo maravilhoso vivemos, não é mesmo?

Sou grato a todos que fizeram possível esta viagem e que oraram por mim e minha família. Fui tremendamente abençoado e me sinto ainda mais motivado a continuar. Grande abraço!

A quebrada só pede paz, e mesmo assim, é um sonho!

11953029_700652720064768_6404401409924876692_n

Fui até o Jardim Munhoz, Osasco, hoje à tarde (9 set 15), com três amigos, tentar localizar as famílias vítimas da chacina de 13 ago. Não tínhamos contatos, telefones, muito menos endereços. Somente o nome da rua de um dos bares onde dez pessoas foram alvejadas; destas, oito morreram. No total, foram dezenove mortos naquela noite.

Não demorou muito, porém, pra encontrarmos testemunhas e familiares das vítimas. As lágrimas e a dor na face enrugada da gentil senhora de cabelos brancos também brotaram rápido, confrontando-nos com a face humana da tragédia. Nossa intenção era mostrar solidariedade, dizer que nos importávamos e ver se poderíamos apoiá-los de alguma forma.

O que vimos, ouvimos e sentimos, porém, está além do que palavras podem expressar. Clima tenso. Sinistro. Pesado. Mesmo após quase um mês, ninguém quer falar. Olhares desconfiados, raivosos. Fomos filmados, fotografados. Atentamente observados por muitos… Nós, ao contrário, fizemos questão de não fotografar e não registrar nada. “Muitos já vieram aqui, tiraram fotos e nada mudou”. “Não adianta, isso vai ficar assim mesmo. Já aconteceu antes”. Pensei em argumentar, mas não encontrei palavras… “Esse pessoal pode voltar e fazer coisa pior”.

Desesperança. Ódio. Impotência. Angústia. Baixa auto estima.

O que dizer a uma mãe que perdeu seu filho único, jovem, negro, estudante (“me sacrifiquei pra que estudasse em escola particular…”), que havia criado sozinha após ser abandonada pelo marido… filho este que havia chegado e recebido como um milagre depois de 5 abortos espontâneos….

Ouvimos. Choramos. Oramos. Abraçamos.

Será que o Reino de Deus cabe em um abraço, um olhar, um aperto de mão? Nossa prece, silenciosa, respeitosa, carregada de esperança, é que, sim, o Reino de justiça e paz do Eterno Deus chegue até eles. Que recebam respeito e dignidade por parte das autoridades. Que lhes façam justiça. Mas muito mais que justiça, repeito e dignidade, que encontrem graça, muita graça. ‪#‎QuemMatou19‬

Domingo, 13 set, quando se completa um mês da chacina, o Rio de Paz (Núcleo SP) estará na Av Paulista, no vão do Masp, das 16h às 19h, protestando silenciosa e reverentemente. Buscamos respostas do Governo Paulista. Não conseguimos mais conviver com o descaso, a injustiça, com a inércia e indiferença. Se achar que deve, compareça.

Bem aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos.

Acolherei o Estrangeiro!

old woman

Conforme atestou a ACNUR em sua nova edição do relatório Tendências Globais (Global Trends), divulgado em 18 de junho de 2015, vivemos uma crise humanitária mundial sem precedentes, com cerca de 60 milhões de pessoas deslocadas à força, sendo que destes, 20 milhões são refugiados e 40 milhões deslocados internos (IDPs).

Seja nos países de origem, de refúgio, de trânsito ou de reassentamento, a igreja tem um papel essencial e único a desempenhar na promoção da tolerância, da cultura de paz, para que os deslocados à força possam recuperar-se do trauma causado pelo desastre humanitário que sofreram e sejam inseridos efetivamente na nova sociedade.

Reconhecendo esta realidade, em dezembro de 2012, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados organizou um Diálogo com líderes religiosos de diferentes credos, organizações humanitárias confessionais, acadêmicos e representantes governamentais de vários países ao redor do mundo sobre o tema “Fé e Proteção”. Em resposta a esta convocação, de fevereiro a abril de 2013, uma coalizão de organizações humanitárias confessionais e instituições acadêmicas, entre elas a Aliança Evangélica Mundial (WEA) e a Visão Mundial (World Vision International), ambas de corte evangélico e com expressiva presença mundial, participaram na elaboração do documento “Acolher o Estrangeiro: Afirmações para líderes de comunidades de fé”.

As afirmações (transcritas abaixo) têm como alvo inspirar líderes de todos os credos a “acolher o estrangeiro” com dignidade, respeito e amor. Como observou Antonio Guterres, Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados:

“…para a vasta maioria das pessoas desarraigadas, poucas coisas são tão poderosas em ajudá-las a superar o medo, a perda, a separação e a destituição, como a sua fé. A fé é central também para a esperança e a resiliência … em muitas circunstâncias, os deslocados se voltam primeiramente às comunidades religiosas locais em busca de proteção, assistência e aconselhamento. As organizações de fé frequentemente desfrutam de altos níveis de confiança na comunidade, têm um melhor acesso e conhecimento local mais amplo, todos os quais são importantes fatores na elaboração e execução de programas, inclusive em ambientes complexos e inseguros.”

Confira as afirmações. Reflita. Você está pronto a acolher o estrangeiro? Então, que tal envolver outras pessoas? O Mestre da Galiléia já disse: “fui estrangeiro, e me acolheste..”.

Um valor central da minha fé é acolher o estrangeiro, o refugiado, o deslocado interno, o outro. Eu lhes tratarei como eu mesmo gostaria de ser tratado. Eu convidarei os demais, inclusive os líderes da minha comunidade de fé, a fazer o mesmo. Junto com os líderes de fé, as organizações religiosas e as comunidades de consciência ao redor do mundo, eu afirmo:

Acolherei o estrangeiro.

Minha fé ensina que a compaixão, a misericórdia, o amor e a hospitalidade são para todos: o nascido no país e o nascido no estrangeiro, o membro da minha comunidade e o recém-chegado.

Recordarei e farei recordar aos membros da minha comunidade que todos somos considerados “estrangeiros” em algum lugar, que devemos tratar o estrangeiro em nossa comunidade como nós gostaríamos de ser tratados, e que devemos desafiar a intolerância.

Recordarei e farei recordar a outros em minha comunidade que ninguém deixa sua terra natal sem uma razão: alguns fogem da perseguição, violência e exploração; outros devido a desastres naturais; e outros motivados pelo amor desejam prover uma vida melhor para sua família.

Reconheço que todas as pessoas têm direito à dignidade e ao respeito devido a sua condição de ser humano. Todos em meu país, inclusive os estrangeiros, estão sujeitos às leis do país e ninguém deve ser submetido à hostilidade ou discriminação.

Reconheço que acolher ao estrangeiro às vezes requer coragem, mas as alegrias e esperanças de fazê-lo sobrepassam grandemente os riscos e desafios. Apoiarei aqueles que corajosamente acolherem o estrangeiro.

Oferecerei hospitalidade ao estrangeiro, pois isso traz bênçãos sobre a comunidade, sobre minha família, sobre o estrangeiro e sobre mim.

Respeitarei e honrarei o fato de que o estrangeiro possa ter uma fé diferente ou manter crenças diferentes das minhas ou de outros membros da comunidade.

Respeitarei o direito do estrangeiro de praticar sua fé com liberdade. Buscarei criar espaços onde ele possa prestar seu culto livremente.

Falarei de minha própria fé sem menosprezar ou ridicularizar a fé de outros.

Construirei pontes entre o estrangeiro e eu. Através de meu exemplo, animarei a outros a fazerem o mesmo.

Farei um esforço não só para acolher ao estrangeiro, mas também para ouvi-lo em profundidade, e para promover o entendimento e acolhimento na comunidade.

Manifestarei-me pela justiça social para o estrangeiro, assim como faço para os outros membros da minha comunidade.

Quando eu vir hostilidade para com o estrangeiro em minha comunidade, seja em palavras ou em atos, não ignorarei, mas me empenharei em estabelecer o diálogo e facilitar a paz.

Não me manterei calado quando vir outros, mesmo que sejam líderes da minha comunidade de fé, falar mal dos estrangeiros, julgando-os sem conhecê-los ou quando vir que estão sendo excluídos, maltratados ou oprimidos.

Encorajarei minha comunidade de fé a trabalhar com outras comunidades de fé e organizações religiosas para encontrar melhores maneiras de assistir ao estrangeiro.

Acolherei o estrangeiro.

Guia de Oração por Refugiados

20150615084502528rts

O dia 20 de junho é considerado mundialmente como o “Dia do Refugiado”. Em alguns países o domingo anterior ou posterior (19 e 26, em 2016), é dedicado à conscientização e intercessão. Sabemos que o Eterno ama o estrangeiro e ordenou ao seu povo que o amasse também (Dt 10.18,19). A igreja deve fazer o bem a todos, especialmente aos da família da fé (Gl 6.10). Pensando nisso, elaborei um “Guia de Oração”, como um ponto de partida para aqueles que quiserem se informar e se juntar a nós neste movimento. Comentários e sugestões são bem vindos. Em tempo… Me ajuda a divulgar esta iniciativa?

Um panorama geral

Vivemos a maior crise humanitária desde a 2a guerra mundial. Conflitos políticos, étnicos e religiosos, grupos terroristas islâmicos (ISIS/Estado Islâmico e Boko Haram, por ex), crises econômicas, corrupção, desastres naturais, somados à insensibilidade dos países ricos, geraram um caos generalizado, que acabou espalhando-se por todo o mundo.

Existem hoje (dados oficiais de dezembro 2014) mais de 59,5 milhões de pessoas deslocadas forçosamente de suas casas. Destas, 19,5 milhões são “refugiados” (Refugees), ou seja, são obrigadas a viver num outro país. 40 milhões são “deslocados internos” (IDP – Internally displaced persons), permanecem em seu país, apesar de não poderem morar em suas próprias casas.

  • 49% dos refugiados são mulheres e 50% têm menos de 18 anos.
  • Durante 2014, a cada dia, 42.500 se tornaram refugiados e deslocados
  • 86% dos refugiados são acolhidos por nações em desenvolvimento (Quênia, Paquistão, Turquia, Jordânia, Líbano), o que implica num desafio enorme para seus governos, cidadãos e para os próprios refugiados.
  • A média de tempo que um refugiado permanece fora de seu país é de 17 anos!

Refugiados enfrentam desafios enormes, diariamente, entre eles: falta de esperança, violência, discriminação, fome, falta de abrigo, perda de identidade e perda de poder econômico. Além disso, encaram jornadas perigosíssimas (como atravessar desertos, zonas de guerra, oceanos) expondo a si mesmo e aos seus familiares, para salvar a vida. Por tudo isso, tornam-se vulneráveis às redes de tráfico humano, exploração sexual, tráfico de órgãos, etc. pagando um preço altíssimo a ‘coiotes’ que os levarão por rotas ilegais de imigração, quando não são mortos pelos mesmos depois de haverem pago o ‘serviço’.

Preparando o coração e mente para orar por refugiados:

  • Imagine a si mesmo como um refugiado, como se você e sua família tivessem sido obrigados a mudar para outro país, outra cultura, deixando tudo pra trás… Como você gostaria que as pessoas orassem por você?
  • Leia as passagens bíblicas: Dt 10.18,19; Salmo 107.1-9; Salmo 34.18; Mt 25.31-46; Mt 22.37-39; Gl 6.10
  • Peça que o Espírito Santo lhe guie enquanto ora pelos refugiados.

Como orar pelos refugiados:

Refugiados são pessoas comuns com família, sonhos e esperanças. Assim como oramos por pessoas que conhecemos, podemos orar pelos refugiados. Sua condição de refúgio, contudo, os expõe a desafios únicos que podemos orar. Isto inclui:

1. Necessidades básicas
Que suas necessidades essenciais de segurança, abrigo, água, comida e cuidados médicos sejam supridas. Que o Pai Altíssimo ouça o seu clamor e os leve a um lugar de segurança. Em muitas circunstâncias o refugiado terá que aprender uma nova língua e um novo trabalho. Ore por forças emocionais para que consiga enfrentar estes desafios, mesmo com tão poucos recursos e apoio.

2. Paz e promotores da paz
Que promotores da paz, verdadeiros conciliadores, sejam levantados e tragam paz aos países onde a guerra, violência e perseguição estão forçando as pessoas a abandonarem suas casas. Ore pela paz: Síria, Afeganistão, Somália, Eritreia, Iraque, República Democrática do Congo, Sudão do Sul, Sudão, República Centro Africana, Nigéria, Myanmar, Vietnã e Colômbia.

3. Esperança e cura
Que pessoas amáveis e comprometidas sejam levantadas e levem esperança aos refugiados. Que médicos, psicólogos, pastores e terapeutas sejam canais de esperança, gerando cura física, mental e emocional. Ore especialmente pelas crianças e adolescentes que sofreram agressão física ou que testemunharam atrocidades contra seus familiares. Que suas memórias sejam curadas. Que possam perceber a presença do Pai Eterno com eles, que sejam libertas do medo e ansiedade. Que sua fé seja renovada, produzindo esperança e alegria a cada amanhecer.

4. Igrejas Acolhedoras
Que os refugiados encontrem uma igreja acolhedora em seu novo país. Que mais pessoas e igrejas nos países receptores abram seus olhos e corações para perceber, acolher e servir aos refugiados. Existem também muitas igrejas dentro dos campos de refugiados, sendo lideradas por pastores refugiados. Muitos refugiados buscam apoio e esperanças nestas igrejas. Que estas pequenas comunidades sejam fortalecidas em sua fé e seu testemunho, sendo benção ao seu povo.

5. Mulheres e crianças
Eles estão entre os mais vulneráveis. São mais da metade dos refugiados no mundo. Que sejam livres do mal, das pessoas que querem explorá-los, como as redes de tráfico humano, de exploração sexual e de tráfico de órgãos. Ore pelos órfãos, pelas mães que perderam seus filhos… Que a igreja seja uma verdadeira família, uma rede de amor, abrigo e proteção aos mais frágeis.

6. Jovens
Eles estão longe de casa. Perderam seus amigos e muitos estão longe de seus pais e familiares. Ao olharem para trás, não encontram alternativa. Por outro lado, tem uma grande capacidade para aprendizagem da nova língua, são mais versáteis e fortes fisicamente. Podem aprender uma profissão, e normalmente tornam-se o apoio da família. Que sejam abençoados com flexibilidade, criatividade e perseverança.

7. Países Receptores
86% dos refugiados encontram-se em países em desenvolvimento, com economias que enfrentam muitos desafios. Estes países têm que lidar com grandes ondas migratórias, com milhares de refugiados chegando num curto período de tempo, e sem ajuda internacional. É comum que surja preconceito contra os que chegam. Ore para que os refugiados não sofram com o racismo e a xenofobia. Que os governos e a população se abram para acolher. Lembre-se dos países que mais recebem refugiados: Paquistão, Turquia, Líbano, Jordânia, Iraque, Irã, Egito, Quênia, Chade, Etiópia, China e USA.

8. ONU (ACNUR) e agências humanitárias que servem refugiados
Ore pelos milhares de trabalhadores e voluntários que atendem incansavelmente os refugiados ao redor do mundo. Por sua segurança e saúde emocional. Que haja recursos financeiros suficientes para as agências internacionais prestarem os serviços humanitários. Ore também para que os líderes mundiais tenham sensibilidade para com os milhões de refugiados e busquem juntos novas soluções.

9. RHP – Refugee Highway Partnership  e REMIR – “Rede Evangélica Brasileira de Apoio ao Migrante e Refugiado” (www.remir.net.br)
A RHP é uma rede internacional de organizações evangélicas que servem aos refugiados em diferentes países. Ela é o braço especializado da Aliança Evangélica Mundial (WEA) para este grupo. Aqui no Brasil a RHP está representada pela “REMIR”, que é uma nova, crescente e dinâmica rede de pessoas, igrejas e organizações evangélicas brasileiras que buscam servir aos refugiados e também às igrejas brasileiras com informações, treinamento e acompanhamento. Que o Pai continue levantando cada vez mais organizações e pessoas, sejam elas voluntários, pastores ou missionários, para ministrar aos refugiados, nos grandes centros urbanos e nos campos em áreas remotas. Ore por esta iniciativa, para que gere muitos frutos.

10. Refugiados no Brasil
Nosso país tem se convertido no destino de muitos refugiados, vindos de diferentes países. Nosso governo tem aberto as portas e isto é louvável. Contudo, há muito ainda a ser feito para que o refugiado seja integrado à nossa sociedade. Somos um país de migrantes, somos acolhedores, mas temos vivido dias de acirramento de ânimos, gerando preconceito e ódio. Ore para que nossa sociedade não se feche ao estrangeiro. Que nossos governos (Federal, Estadual e Municipal) busquem soluções. Ore pelas organizações governamentais envolvidas no acolhimento (CONARE, ACNUR, entre outras), pelas pessoas que trabalham ali. Por fim, ore pelos milhares de refugiados e solicitantes de refúgio que já estão no Brasil. Que encontrem aqui uma nova vida e esperança.

Nossa sensível consciência ultrajada

As imagens abaixo não são representações artísticas; são, infelizmente, retratos da realidade.
O que está sendo violado nelas não é um símbolo ou consciência; são, infelizmente, seres humanos, milhares, milhões, pequenos e frágeis, que sofrem, hoje, todo tipo de violência: descaso, abuso, tortura, nudez, fome.
Quando comparo estas imagens à ‘imagem’ montada neste fim de semana em São Paulo – e a polêmica criada em torno dela, confesso:
Nossa sensível consciência ultrajada me escandaliza.
Nosso ódio, vingativo, justiceiro, acusador, me envergonha.
Nosso silêncio, omissão, descaso, conformismo e mesquinhez, me enojam, me ferem, me enfraquecem.

Se é pra defender alguma ‘imagem’, por favor, respondam-me:

– Onde, afinal, a imagem de Deus está refletida? na ‘imagem’ da passeata ou nas ‘imagens’ abaixo?

Quem tem ouvidos para ouvir (e olhos para ver) ouça o que nos está sendo proposto: Arrependam-se. Voltem…
E como disse aquele que foi pleno do Eterno:
Aprendam de mim…
Eu não vim resgatar a imagem da cruz.
Eu vim resgatar o ser humano ferido (e toda criação) pro meu Pai!

hands poor

© Finbarr

migrantes

syrian-kurds-sept.-19-2014

Reconstruindo mundos. Restaurando vidas.

he ain't heavy“Ele não é pesado, ele é meu irmão!”

Numa noite de nevasca em Washington/DC, no início do século passado, um pré-adolescente vestido precariamente bate à porta da “Missão dos Órfãos”.  Às costas, levava outro garoto, um pouco mais novo, visivelmente abatido pela fome e frio. O sacerdote que o atendeu convidou-o a entrar fazendo um comentário: “Entre, ele deve ser muito pesado”. O garoto mais velho, contudo, respondeu: “Ele não é pesado, ele é meu irmão”.

A maior crise humanitária dos últimos 20 anos!

O conflito na Síria já entrou no seu quarto ano e, o pior, sem nenhuma perspectiva de paz. O diálogo promovido pela ONU fracassou pela intransigência das partes. Enquanto isso, a maior crise humanitária dos últimos 20 anos, se agrava:

  • 2,5 milhões de refugiados e +6,5 milhões deslocados internos
  • 140 mil mortos, dentre os quais 7 mil crianças
  • +600 mil feridos, sem acesso a hospitais ou medicamentos
  • Centenas já morreram de fome nas cidades sitiadas, principalmente crianças pequenas

O número total de pessoas afetadas neste conflito (11,8 milhões) ultrapassa o número de vítimas do terremoto no Haiti, do Tsunami no Oceano Índico em 2004 e do furacão Katrina… juntos!

Uma geração perdida?

crianca siriaMais da metade dos afetados são crianças que não tem mais casa, escola, alimento, água, remédios e condições mínimas de saneamento básico. São mais de 350 mil órfãos. Muitas são obrigadas a trabalhar, outras abusadas sexualmente, vendidas como escravas ou negociadas em casamentos forçados. Nos campos de refugiados, uma jovem ou menina síria pode ser comprada por US$ 150. Redes internacionais de tráfico de órgãos também estão agindo raptando principalmente crianças.

Perseguição aos Cristãos

Apesar de ser um país de maioria Islâmica, a Síria nunca adotou a ‘lei sharia’. Há décadas as minorias religiosas eram protegidas, com liberdade razoável de culto. Porém, com o conflito atual o governo perdeu o controle sobre várias cidades e os rebeldes radicais islâmicos fizeram dos cristãos seus alvos principais.  Relatos (fotos e vídeos) de execuções sumárias inundam a web. Cristãos são torturados, crucificados, queimados vivos, degolados e seus corpos exibidos em praças públicas como troféus.

Fui estrangeiro, e me acolheste…

Desde novembro, quando fomos procurados para apoiar aqui em São Paulo os refugiados cristãos sírios, temos nos empenhado em fazer tudo o que está ao nosso alcance. Desde a recepção no aeroporto, a hospedagem, o encaminhamento para outra cidade, alimento, roupas, recursos financeiros, remédios, atendimento médico, psicológico e pastoral, orientação quanto à documentação, aulas de Português, ajuda para conseguirem casa, emprego, escola, mobília e até mesmo material escolar.

Apesar de nossas limitações experimentamos um senso de realização enorme. Somos gratos a Deus por nos ter confiado este ministério! Somos gratos a muitos que têm nos apoiado com oração, recursos ou trabalho voluntário! Já participamos do acolhimento de mais de 45 pessoas. Mas, o que são 45 diante dos números acima? Que o Senhor nos dê condições para fazer muito mais! Uma das alegrias ‘impagáveis’ que tive foi ouvir de um jovem sírio recém-acolhido: “Eu quero andar ao seu lado; eu quero ser pastor também; eu quero aprender a Bíblia com você”. Ore comigo por esta vocação e que muitas outras sejam levantadas!aula de portugues

Os desafios são muitos! O projeto busca envolver igrejas na adoção das famílias de refugiados pelo período de um ano, provendo-lhes casa, alimentação e todo apoio que necessitam. Algumas já se levantaram em Foz do Iguaçu, Rio Preto, Belo Horizonte, Araraquara… Mas outras são necessárias. Ore por novas igrejas acolhedoras! Entre no site da MAIS ou escreva-nos para mais informações.

Outra área de atenção é o fato de vários deles já estarem experimentando o “choque cultural”. A distância cultural, dificuldade no aprendizado da língua, a limitação na comunicação e, por conseguinte, na busca por emprego e ociosidade são barreiras enormes que precisam ser vencidas com perseverança, paciência e amor. Interceda por eles… Um casal de idosos (78 e 75 anos) não superou o choque e decidiu voltar.

A cidade de São Paulo tem se mostrado particularmente inóspita para eles e pedimos sua oração por isto. O elevado custo de vida, as dificuldades de transporte, insegurança, etc são barreiras enormes para nós brasileiros, imagine para estrangeiros. Precisamos de uma estrutura melhor para poder servir-lhes. Ore conosco por direção de Deus.

yarmouk

Palestinos: A crise dentro da crise

Em 1948, na formação do Estado de Israel, 800 mil palestinos foram expulsos de suas casas. Cerca de 480 mil foram para a Síria. Por 65 anos viveram ali. Casaram-se, estabeleceram famílias, construíram casas, comércio, etc. Com o conflito, porém, tudo o que tinham lhes foi tirado novamente. Em Yarmouk, subúrbio de Damasco, hoje, cerca de 30 mil civis (mulheres, crianças, idosos, enfermos) estão completamente sitiados, bombardeados noite e dia, sem água, alimento, energia elétrica…  Além disso, aqueles que conseguiram fugir da Síria não podem entrar em outros países (Palestina não é um Estado reconhecido), sendo o Brasil um dos poucos que lhes recebe. Com a graça do Pai tenho tido a oportunidade de ajudar também famílias palestinas (não cristãs) que chegaram da Síria. Sua dor tem me cortado o coração. Sua coragem, me inspirado. Numa noite desta semana, sem conseguir dormir, fui levado a interceder por eles e escrevi o que segue. Ore comigo:

Oração por Yarmouk

Cordeiro de Deus
Pela tua mão, que este fio de vida permaneça.
Que o alimento sacie
A esperança renasça
E a voz do entendimento prevaleça.

Cordeiro de Deus
Com tua forte voz, anuncia:
Haja justiça em Yarmouk.
Reine a paz na Síria.

Cordeiro de Deus
Que das tendas, cinzas e escombros
Até mesmo da lama encharcada de sangue
Brote bravamente a vida:
A tua vida, uma vez repartida,
Como santo sacrifício de paz.

Contato

email: josermprado@gmail.com

Twitter: @ZePrado

www.facebook.com/josermprado

Uma oração por Yarmouk ~ por José Roberto Prado

© iliyana gonzales-ilieHoje, depois de vários dias e tentativas frustradas, o cerco foi rompido e agentes humanitários conseguiram entrar e distribuir alimentos no campo de refugiados de Yarmouk (Damasco, Síria). Continue orando comigo.

Oração por Yarmouk

José RM Prado, 20 mar 2014

Cordeiro de Deus
Pela tua mão, que este fio de vida permaneça.
Que o alimento sacie
A esperança renasça
E a voz do entendimento prevaleça.

Cordeiro de Deus
Com tua forte voz, anuncia:
Haja justiça em Yarmouk.
Reine a paz na Síria.

Cordeiro de Deus
Que das tendas, cinzas e escombros
Até mesmo da lama encharcada de sangue
Brote bravamente a vida:
A tua vida, uma vez repartida,
Como santo sacrifício de paz.

con-VERTA-se!

loveisthemessage

Seguir a Jesus é mais do que andar na mesma trilha.
É acolher em seu coração as mesmas puras intenções e motivações do Bom Pastor.
Implica um ‘con-VERTER-se’ constante não só à Ele, mas também às suas outras ovelhas.
Por mais esquisitas e diferentes que estas sejam.

Não subestime sua capacidade de ferir e desagregar.
Ovelhas feridas ferem…
Ovelhas imaturas ferem e desagregam absolutamente.

Converta-se!
Um coração contrito não será desprezado pelo Altíssimo.
No seu tempo, à seu modo, Ele lhe exaltará.
Volte!