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Pastoreia minhas ovelhas…

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Hoje fui até a pequena Campo Limpo Paulista, a 40 Km de São Paulo, reencontrar duas queridas irmãs sírias, refugiadas há um ano e três meses no Brasil, a fim de acompanhar uma gravação pro programa Domingo Espetacular, da Record, sobre a violência do Estado Islâmico. Normalmente não atendo os pedidos pra estas entrevistas, pois sempre acabamos expondo-os a reviver seus momentos mais traumáticos, suas mais profundas memórias, lugares sagrados onde só é possível caminhar descalço. Mas hoje abri um exceção e, na verdade, nas horas que passei ali, ouvindo novamente suas histórias, lembrei da tarde onde as encontrei pela primeira vez… e fui lembrando de muitas outras histórias, de tantos e tantos recomeços e restaurações que, pela graça do Pai, pude participar. Hoje reencontrei mesmo foi com meu chamado, minhas convicções, a razão pela qual faço o que faço há 30 anos.

Sou pastor. Cuido de gente, ovelhas que na verdade não são minhas, são do Supremo Pastor. Acredito em gente que a maioria não acredita, mas o Eterno acredita e pra mim isto basta. Caminho por sombras e becos existenciais em busca dos quebrados e deslocados, convidando-lhes pra vir pra luz, encorajando-as à vir pra mesa novamente, abraçando, ouvindo, rindo, chorando, compartilhando o Evangelho, as boas novas do perdão, da comunhão, da liberdade de seguir ao Nazareno.

Assim como aprendi com meus mestres, gente especial que o Pai colocou na minha estrada, procuro sempre ministrar esperança, amor, coragem… até que a graça faça o seu efeito e a vida viva do Eterno desabroche novamente. Foi assim na minha vida. Meu chamado então é o de andar pelo deserto com as pessoas, não vender mapas que os levem à parques de diversões gospel. Posso usar várias roupas…. Tenho a de músico, professor, conselheiro, pesquisador, carregador de mala, diretor de missão, pregador, motorista, missionário… mas debaixo de todas estas cascas, reconheço que o que tenho mesmo, e recebi DEle, foi um simples coração de pastor.

Sou pobre, assumidamente pobre. Não tenho nada a oferecer a ninguém a não ser Ele, sua Palavra, seu exemplo, sua vida, sua graça. Busco intensamente a integridade pessoal e vocacional. Não aquela plástica, artificial, superficial dos sorrisos educados. A integridade que carrego é a de ser assumidamente quebrado. De possuir rachaduras e defeitos de fabricação com os quais preciso lidar todos os dias. Minha esperança é que por entre estas rachaduras, o óleo do Eterno, derramado sobre mim, possa escorrer pra aqueles que estão ao meu lado.

Por que resolvi escrever tudo isso? Porque no encontro de hoje pude refletir novamente em meu chamado… e pode ser que outros aí deste lado estejam se perguntando se vale a pena, se Ele se importa… Talvez estas linhas sejam encontradas por pessoas perto de jogar a toalha. Gente cansada de apanhar de si mesmo, do inimigo, da vida, de outros, da igreja (instituição)…. Talvez tenha alguém num canto escuro, pequeno, numa pequena comunidade na esquina do mundo se perguntando se é hora de parar.

Pra você, especialmente pra você que se sente assim quero dizer que vale a pena! Apesar de tudo, lembre-se que o chamado pastoral é a coisa mais gloriosa que existe debaixo do céu. E Ele confiou este privilégio a você. Derramou óleo sobre sua cabeça. Lhe chamou, lhe enviou…Não duvide, não tema, não trema, não desanime, não desista… Atire-se de cabeça nos braços do Eterno, em confiança e fé. Ele lhe sustentará! Não olhe para o lado, comparando-se com outros… Olhe pra cima, olhe pra dentro. Somente Ele pode avaliar o seu valor e a importância daquilo que você está fazendo. Ele não usa o padrão de sucesso humano como critério.

Hoje lembrei novamente que, assim como nosso Senhor Jesus Cristo, não fomos chamados para o palco, para a performance, e sim para a fidelidade, para os braços do Pai. Não fazemos o que fazemos porque nos assegura alguma vantagem ou nos trará algum lucro. Ao contrário, ministério é lugar de renúncia, é um constante caminhar para o altar de sacrifício. Pastoreamos pessoas porque, pra nós, é a coisa certa a fazer. É a única coisa que não conseguimos não fazer. O Eterno decidiu amar o mundo, as pessoas, cada pessoa, através de gente como nós. Que assim seja, mais uma vez. Vamos em frente!

(Em tempo, é preciso dizer que sem o apoio incondicional e a cumplicidade ministerial da minha esposa, Val Prado e filhos, e sem as orações, encorajamento e investimento de muitos irmãos-amigos, este ministério não seria possível. Fica aqui registrada minha enorme gratidão a todos que caminham ao meu lado).

Casa Azul

Casa Refúgio 1Refugiados enfrentam diariamente desafios enormes, inimagináveis para a maioria de nós; entre eles: a perda de identidade, violência, discriminação, fome, falta de abrigo, falta de esperança e perda de poder econômico. Encaram jornadas perigosíssimas, como atravessar desertos, zonas de guerra, oceanos, expondo a si mesmos e aos seus familiares à morte, agarrando-se num fio de vida. Tornam-se vulneráveis às redes de tráfico humano, exploração sexual e tráfico de órgãos, pagando um preço altíssimo a ‘coiotes’ que, na maioria das vezes, lhes matam depois de haverem recebido o dinheiro.

Os que conseguem chegar a São Paulo, se não forem amparados, acabam ficando nas ruas, em invasões e assentamentos ilegais ou em precários albergues públicos.

A “Casa Azul” é uma ‘casa de passagem’ que tem como objetivo oferecer abrigo temporário, porém digno e gratuito, para migrantes e refugiados em situação de risco e vulnerabilidade social, até que consigam uma solução mais definitiva para sua moradia. A partir dela, oferecemos aulas de Português, orientação para a obtenção de documentação, apoio médico, dentário, psicológico e pastoral.

Este projeto é mantido totalmente por doações de pessoas físicas, sem nenhum convênio governamental. A casa fica na zona Oeste de São Paulo.

Para participar deste projeto, clique aqui.