O misterioso, silencioso, subversivo e incontrolável mover do Eterno

2015-11-03 11.40.43

Queridos, estou de volta ao Brasil, ainda sob o impacto da viagem. Impossível resumir o que vi e ouvi. Expresso, contudo, minha convicção: Em meio a esta enorme tragédia dos milhões de deslocados na Síria, Líbano, Iraque, Jordânia e Turquia, há um misterioso, silencioso, subversivo e incontrolável mover do Espírito de Vida.

Algo inexplicável e maravilhoso está acontecendo longe da atenção da mídia, dos governos e até mesmo da igreja institucionalizada. Um exemplo: Visitei um campo chamado de “campo das viúvas”, a menos de 10 km das forças do Estado Islâmico. Nesta região há uma aglomeração de cerca de meio milhão de refugiados sírios. Todos ali perderam terras, casas, emprego, familiares…

Gente que carrega camadas e mais camadas de diferentes lutos. Sem recursos para irem a outro lugar, tolerados por alguns, rejeitados violentamente por outros, submetidos às mais degradantes condições de vida, em frágeis barracas de lona, dependem diariamente da boa vontade de terceiros, que muitas vezes lhe exploram e violentam ainda mais.

Num cenário assim seria fácil se deixar convencer e abater pelos evidentes sinais de morte. Mas é justamente ali que o Eterno está agindo. Há uma enorme fome de vida, de genuína e abundante vida. O antigo poço em que bebiam secou-se repentinamente e tornou-se para eles uma fonte de veneno e morte. Seus próprios irmãos são os algozes de seu holocausto e aqueles que poderiam socorrer-lhes silenciam, afastam-se, dão-lhes as costas.

A magia da serpente, que lhes cegava e oprimia, está rapidamente esvaindo-se e, a cada dia, centenas, milhares (quem poderá contar?), acordam do sono da morte.

A primeira coisa que fazem ao acordar do sono da morte, do encanto da serpente, é perguntar por Jesus. Ah… Como é doce este Nome em seus lábios! Como têm fome de conhecer sua história, seus ensinos, seus milagres… Com o apoio de poucos mas valorosos voluntários do povo da Cruz, crianças e adultos aprendem a orar em nome de Jesus, que não se nega a lhes responder! Assim, respostas, curas e milagres são operados em resposta às preces sinceras e cheias de fé dos pequeninos. Estes sinais somente confirmam de forma inequívoca no coração deles que o Cordeiro está vivo e atento à sua dor! Não estão sozinhos, podem ter esperança!

À noite nos acampamentos ouve-se um rumor… Pouco a pouco vai se tornando mais forte que os gemidos de dor e de luto. É o som de centenas de grupos que se reúnem, informalmente, espontaneamente, nas frágeis barracas, pra contar, comentar e admirar as histórias do Messias.

Aqueles que conseguem ir em direção à Europa levam consigo, por onde passam, de cidade em cidade, de campo em campo, sua nova fé e esperança. Os mais pobres entre os pobres, os mais fracos, os vulneráveis e desprezados, encontraram força, esperança, vida e graça no testemunho de Jesus, o Cristo. Quem lhes impedirá de falar?

Quem poderia pensar, planejar ou sonhar com isso? Como disse Paulo, o apóstolo: “Ó profundidade da riqueza, da sabedoria e do conhecimento de D’us! Quão insondáveis são seus juízos e inescrutáveis os seus caminhos! Quem conheceu a mente do Senhor ou foi seu conselheiro…?”

Ficam as perguntas: as igrejas ressequidas do Oriente Médio e do Velho Continente acolherão estes novos irmãos? Deixar-se-ão evangelizar por estes pobres? Verão neles a face do Messias? Receberão deles este sangue novo, este novo alento vindo do Pai, ou também lhes rejeitarão como seus antigos irmãos?

E nós aqui do Brasil? Ficaremos à distância, olhando passivamente este mover extraordinário do Eterno, ou vamos somar forças e fazer o que estiver ao nosso alcance pra participar?

Continuo precisando de sua oração. Há muitas perguntas não respondidas. Como agir? O que priorizar? Quais projetos apoiar? Com quem nos associar? Busco no Senhor o discernimento, a sabedoria, a coragem, humildade e fé pra seguir as pegadas do Espírito. Almejo receber DEle os planos, os sonhos, os projetos.

Que tempo maravilhoso vivemos, não é mesmo?

Sou grato a todos que fizeram possível esta viagem e que oraram por mim e minha família. Fui tremendamente abençoado e me sinto ainda mais motivado a continuar. Grande abraço!

Deixe uma resposta