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‘Meus amigos brasileiros me queimaram’, disse senegalês atacado em Santa Maria

“Meus amigos brasileiros…”? É assim que um jovem senegalês recém atacado por bárbaros, se refere a nós… Crime covarde, cruel, racista, inaceitável. Mais um ato de violência contra um imigrante negro no RS, terra formada 90% de imigrantes! Que o povo e as autoridades de Santa Maria não descansem enquanto não identificarem e punirem os culpados. Não basta abrirmos nossas fronteiras, é preciso multiplicar casas de acolhimento e centros de integração para os que chegam. Já passou da hora das igrejas se envolverem nesta causa. Até quando nos rebelaremos contra a Palavra expressa do Eterno? “Amem – acolham, protejam, socorram- o estrangeiro”!!! Dt 10.19

Quer mudar isto? Entre em contato comigo. ‪#‎XenofobiaNão‬ ‪#‎AcordaIgreja‬ ‪#‎AmeOEstrangeiro

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Cheikh Oumar Foutyou Diba, 25 anos, pediu ajuda em uma padaria depois de ser assaltado. O colchão onde ele dormia foi queimado. O grupo Direitos Humanos e Mobilidade Humana Internacional (Migraidh), da UFSM, assumiu os cuidados pela saúde e bem-estar de Cheikh Oumar Foutyou Diba. Por volta das 8h30min de sábado, o jovem senegalês de 25 anos foi vítima de um assalto e teve parte do corpo incendiado, enquanto dormia, na Avenida Rio Branco, na área central de Santa Maria.

[Zero Hora, 13 set 15] Três homens que o atacaram colocaram fogo no colchão do rapaz, que sofreu queimaduras nas pernas e em um dos braços. Os suspeitos fugiram, levando uma maleta com as bijuterias que ele costuma vender pelas ruas da cidade, R$ 500 e os tênis que ele usava.

De acordo com Lidiane Silveira Rocha, funcionária da Padaria Shalom, localizada na Avenida Rio Branco, Diba procurou o local para comer. Devido às queixas de dor e ao choro do jovem, ela e outras funcionárias perceberam que ele estava machucado.

Dioneia Beck, proprietária do estabelecimento, tentou ajudar Diba com medicamentos para dor e com comida. Mas, ao perceberem que as queimaduras eram graves, elas entraram em contato com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), e foram informadas que eles não atendiam a esse tipo de ocorrência, sem gravidade. O próximo passo foi ligar para a Brigada Militar (BM), onde atendentes acionaram o Corpo de Bombeiros. Em seguida, o imigrante foi levado para a Unidade de Pronto-Atendimento (UPA), onde recebeu os curativos necessários.

A Lidiane, Diba disse “meus amigos brasileiros me queimaram”.

Como o caso não foi considerado de alta gravidade, ele teve alta no fim da tarde de sábado, tendo sido acolhido por integrantes do Migraidh, que ofereceram hospedagem e demais cuidados.

Segundo informações da professora Giuliana Redin, coordenadora do Migraidh, Diba está “muito assustado e até um pouco constrangido” com as ofertas de ajuda.

– Ele está bem fechado. Soube que ele falou pouco e chorou muito  – comenta.

Às 18h deste domingo, integrantes do grupo farão uma reunião para definir os próximos passos, tanto no levantamento das necessidades da vítima – que precisa fazer curativos duas vezes ao dia e tomar medicamentos –, quanto na apuração de responsabilidades.

Imigrante legal

O jovem informou ao Migraidh que veio de Sapucaia para Santa Maria há cinco dias, e que estava hospedado no Albergue Municipal – porém, na sexta-feira, não conseguiu chegar na instituição antes do horário de fechamento.

Segundo informações da Polícia Federal – que deve abrir investigação nesta segunda-feira – Cheikh Oumar Foutyou Diba está regularizado no país e que tem passaporte.

Mas a professora Giuliana Redin, coordenadora do Migraidh, esclarece que é dever do Estado assegurar a integridade dos imigrantes, independentemente de estarem “legalizados”.

– A condição de documentação é absolutamente irrelevante em se tratando do compromisso do Estado com a proteção dos direitos humanos do imigrante. O ato de migrar não é crime, então não existe imigração legal ou ilegal – explica.

Por que o espanto com os Black Blocs? ~ Adriana Carranca

black-blocsEste ano, dois países registraram mortes de jornalistas: Iraque e Brasil. Pode-se argumentar que o ano mal começou – embora já tenha chegado ao fim para o cinegrafista da TV Bandeirantes Santiago Andrade, morto ao ser atingido por um rojão durante a cobertura de protestos no dia 6, no Rio. Vejamos, então, 2013: o Brasil foi o sexto do mundo com maior número de jornalistas assassinados, atrás apenas da Síria, Iraque, Egito, Paquistão e Somália. São países em guerra; o Egito vive um golpe e o ressurgimento dos ataques com bombas no rastro da confusão deixada pela Primavera Árabe, e o Paquistão, um regime militar velado e o terrorismo devastador.

[Adriana Carranca, Estadão, 12 fev 2014] Ataques à imprensa e a morte de jornalistas são o termômetro de uma sociedade doente, reflexo de  uma democracia disfuncional ou de democracia nenhuma. O que dizer então do Brasil? As mortes recentes de jornalistas não foram pontuais. Em 2012, fomos o quarto país mais letal para jornalistas, atrás de Síria, Somália e Paquistão. E em 2011, o terceiro ao lado do México, perdendo apenas para o Paquistão e, empatados, Iraque e Líbia. Em todos esses anos, foi mais perigoso fazer coberturas no Brasil do que no Afeganistão, Congo, Iêmen, Mali, República Centro-Africana e outros quase 190 países. É assim há pelo menos vinte anos, segundo dados do Comitê para Proteção de Jornalistas.

O relatório 2014 do CPJ sobre Ataques à Imprensa, que acaba de ser divulgado, coloca o Brasil também entre os dez países mais impunes do mundo, onde a falta de solução dos crimes e de responsabilização de criminosos é crescente.

Eu posso ouvir alguém dizer que o ataque contra Santiago Andrade não tinha como alvo a imprensa. O relatório do CPJ registra as mortes de jornalistas no exercício da profissão. Na Síria ou Iraque, para citar apenas alguns, os repórteres morrem em ataques diretos para silenciá-los, mas em maior número durante coberturas em que são atingidos por tiros ou bombas, como Andrade, vítimas da violência generalizada, que não é menos letal no Brasil. É, aliás, mais letal que no Afeganistão. Sua morte é o retrato de uma guerra particular que os brasileiros ainda não conseguem enxergar com clareza. Quando confrontados com tragédias como a morte do cinegrafista, corremos em busca de casualidades para explicar o inexplicável. Afinal, somos um povo pacífico, não somos? A realidade é que não, não somos e já faz tempo.

Andrade morreu nas mãos da sociedade civil. Tim Lopes, nas de traficantes. Eduardo Faustini, repórter investigativo da TV Globo, há anos não pode mostrar o rosto e vive sob proteção armada para poder continuar nos trazendo suas reportagens brilhantes sobre as falcatruas do poder público, como fraudes nas licitações de um hospital ou a máfia das sepulturas nos cemitérios do Rio. André Caramante, o colega que aliás acaba de sair da Folha de S. Paulo, teve de se exilar após receber ameaças pela publicação de uma reportagem  com o título “Ex-chefe da Rota vira político e prega a violência no Facebook”. Reproduzia os posts que o coronel reformado da Polícia Militar Paulo Adriano Lopes Lucinda Telhada, então candidato a vereador, publicava “para veicular relatos de supostos confrontos com civis (sempre chamando-os de ‘vagabundos’)”. A página estava lá para quem quisesse ler, mas a matéria bastou para que Caramante fosse perseguido e ameaçado de morte. Telhada foi o quinto vereador mais votado em São Paulo.

No Brasil, o Estado mata, as forças de segurança matam e, percebemos agora, os que se dizem contra tudo isso matam também. Os traficantes matam e a polícia pacificadora mata (quem não se lembra do caso Amarildo?). No país do futebol, sede da Copa do Mundo este ano, os torcedores matam. E um jogo pode terminar com um jogador morto e um juiz esquartejado, como ocorreu em agosto em Centro do Meio, vilarejo de 200 famílias no Maranhão. “A cultura da faca e da revanche” no interior do Brasil, como definiu o New York Timesmotivada pelo “desespero e a raiva” e “a desconfiança que fervilha do policiamento inadequado e do acesso desigual à Justiça”, onde “o derramamento de sangue é superado com derramamento de sangue”.

Estudo do Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos, no Rio, coloca o Brasil como o sétimo país mais violento do mundo, não só contra jornalistas. A posição é alavancada principalmente pelos “assassinatos de impulso” – uma discussão no trânsito, uma briga entre vizinhos. Vivemos em um estado de brutalidade generalizada, aceitamos a violência institucionalizada, muitas vezes a apoiamos. Por que o espanto com os Black Blocs?

Atlas retrata dois séculos de imigração em São Paulo

O Estado de São Paulo nunca deixou de receber contingentes de trabalhadores vindos de fora do país, mesmo nas décadas do século 20 em que tanto a população quanto a academia pareciam enxergar apenas a migração interna para o Estado, principalmente a originada no Nordeste, mostra o Atlas Temático do Observatório das Migrações em São Paulo, que está sendo lançado neste mês pelo Núcleo de Estudos de População (Nepo) da Unicamp, em parceria com a Fapesp. Essa imigração internacional voltou a ter visibilidade a partir dos anos 90 do século passado, reavivando tensões e preconceitos.

[Carlos Orsi, Jornal da Unicamp, 9 dez 13] “O capital internacional precisa desses imigrantes, sejam eles qualificados ou não, mas a população não está preparada para enfrentar esses novos fluxos migratórios, particularmente porque são migrantes voltados para o mercado de trabalho”, disse a coordenadora do Atlas, Rosana Baeninger, socióloga e pesquisadora do Nepo, ao Jornal da Unicamp.

Além do Atlas, que em mapas e gráficos cobre a entrada de estrangeiros – incluindo escravos – no território que hoje corresponde ao Estado de São Paulo de 1794 a 2010, também estão sendo lançados os oito volumes finais, de um total de 12, da coleção “Por Dentro do Estado de São Paulo”, também produzida pelo Nepo e pelo Observatório das Migrações. A coleção cobre, em detalhe, as dinâmicas sociais e econômicas dos processos migratórios. Alguns volumes da “Por Dentro do Estado de São Paulo” tratam de regiões específicas, como Campinas e Limeira, e outros debruçam-se sobre processos mais amplos, como as imigrações internacionais ocorridas após a Segunda Guerra Mundial e as migrações indígenas.

Na produção do Atlas, foram consideradas imigrantes as pessoas nascidas fora do Brasil que se encontram no Estado – assim, por exemplo, as segundas e terceiras gerações de imigrantes, nascidas no Brasil, não são captadas pelos censos demográficos, pois se utiliza o quesito referente ao país de nascimento.

Fluxo invisível

“Um ponto importante que um projeto dessa envergadura, com olhar para mais de 100 anos, ajuda a ver é que, embora a partir de 1927 tenha acabado o subsídio à imigração no Estado de São Paulo, nós continuamos recebendo os imigrantes internacionais”, disse a pesquisadora. “Ocorre que, como a migração interna passou a ser mais volumosa que a migração internacional, nós deixamos de estudar a migração internacional”.

A imigração internacional para São Paulo só volta a ser “visível” na virada do século 20 para o 21, com a chegada dos bolivianos, chineses, coreanos e, depois, haitianos, e o risco de uma xenofobia renovada em parte da população. “Os fluxos de imigrantes para São Paulo nunca pararam, mas eram menos visíveis, porque os estrangeiros estavam chegando junto de levas de migrantes internos que também sofreram com o preconceito: os baianos, os paraibanos”, explicou Rosana. “Esse foi também um objetivo do projeto, mostrar como a migração contribuiu para a formação social paulista. A metrópole de São Paulo, hoje, ela se reinventa, se reconstrói, com a presença imigrante”.

As organizadoras do Atlas – além de Rosana, participaram as pesquisadoras do Nepo Roberta Guimarães Peres e Natália Belmonte Demétrio – explicaram ainda que a imigração, nos séculos 20 e 21, nem sempre está relacionada a uma crise no país de origem.

“O imigrante estrangeiro que vem ao Brasil não está necessariamente fugindo de uma crise econômica. Isso muda muito depois dos anos 2000, particularmente, porque o Brasil vai entrar na rota do capital internacional. E as indústrias têm um forte componente nessa mobilidade internacional, os grandes centros financeiros, também”, disse Rosana. “Os bolivianos, por exemplo, começam a entrar no Brasil da década perdida, quando nós aqui estávamos em crise. As explicações para as migrações não estão nos destinos migratórios, ou na origem. Estão muito vinculadas à dinâmica da circulação do capital, à necessidade de mão de obra para essa circulação de capital”.

Brancos e qualificados 

O uso do imigrante europeu para “branquear” a raça brasileira pode não ser mais uma política governamental explícita, mas as organizadoras do Atlas relutam em afirmar que o problema racial vinculado à imigração ficou de vez no passado. “O próprio governo brasileiro hoje quer fazer políticas explícitas para atrair portugueses e espanhóis qualificados. Então, quem são os portugueses e espanhóis qualificados? Continuam sendo os brancos. Os europeus”, lembrou Rosana. “Na questão do haitiano, nós vamos precisar dar um visto humanitário. Então, assim, acho que essa questão ainda é muito presente, inclusive na visualização dos fluxos migratórios”.

Dados oficiais podem sugerir que o Brasil passa por um “boom” de atração de mão de obra estrangeira qualificada, mas Rosana lembra que o trabalhador pouco qualificado e sem documentação tem tido importante participação em diferentes nichos econômicos no país. Contudo, passam pelo Ministério do Trabalho e se regularizam empresários, engenheiros, executivos. “Essas grandes empresas se articulam à mobilidade do capital e da força de trabalho,  sendo que diferentes contingentes imigrantes passam a compor uma mão de obra não qualificada, de baixo custo neste novo cenário brasileiro”, disse a pesquisadora.

As questões étnica e social interferem na percepção do imigrante, e na xenofobia. “O boliviano que vem tem outra etnia, tem suas raízes indígenas. E nós ainda estamos muito presos na questão de que, para a nação, o imigrante é o europeu. Hoje nós temos muitos coreanos, chineses aqui, mas o japonês, quando chegou, enfrentou um preconceito muito grande, porque ele era uma outra raça”.

Diferentemente da imigração do século 19, para as lavouras, a imigração atual é urbana, mostra o Atlas. “É nas cidades que as pessoas vão se defrontando, hoje, com a migração muito mais visível: ela é latino-americana, é chinesa, é coreana– então o estranhamento é muito mais frequente hoje, porque somos de segunda, de terceira geração dos imigrantes do século 19. O mito da miscigenação ficou lá atrás”.

O combate ao preconceito, disse Rosana, requer políticas públicas para melhorar a qualidade de vida dos imigrantes pouco qualificados, que chegam como mão de obra barata. “Tem de haver políticas públicas pensadas para as imigrações internacionais, para que essas pessoas não fiquem em condições de vida tão precárias que façam com que a população pense que a migração está trazendo problemas, quando é o contrário: ela está trazendo um excedente populacional que vai gerar riqueza naquele lugar. Riqueza para o capital, claro”.

Ela acredita que é preciso reconhecer que o Brasil entrou de vez na rota das migrações internacionais. “Não podemos querer só o migrante qualificado, o português, o espanhol, o médico, o engenheiro que vem para cá e vai ter todas as condições de permanecer no Brasil. Temos de ter políticas migratórias que contemplem a diversidade de situações que o país está vivenciando, garantindo a governança das migrações internacionais e os direitos humanos”.

Guaranis

Um dos livros da coleção “Por Dentro do Estado de São Paulo” trata das migrações de índios guaranis no Estado de São Paulo. O volume, intitulado “Povos Indígenas; mobilidade espacial”, organizado por Rosana Baeninger e pela ex-presidente da Funai Marta Maria do Amaral Azevedo, descreve como, desde meados do século 19, índios guarani vêm migrando da Argentina e do Paraguai para o litoral paulista, em busca de uma “Terra Sem Males”.

Além disso, o trabalho constata um aumento da população guarani no Brasil, saltando de 20 mil no período 1981-1985 e chegando a 51 mil em 2007-2008, de acordo com estimativas. “Para eles, toda essa área, Paraguai, centro-sul do Brasil, é um território só”, explicou Rosana. “O que mostra para nós, na questão dos povos indígenas, que não podemos delimitar os processos migratórios no território com o nosso olhar. Tem que ser com o olhar dos sujeitos, dos sujeitos migrantes. Eles nem se consideram migrantes”.

A primeira fase do Observatório das Migrações em São Paulo, que se fecha com a publicação dos oito volumes finais da coleção e do Atlas, envolveu 16 estudos temáticos, que além dos 16 pesquisadores responsáveis contaram com a participação de 36 estudantes de graduação e pós. Além da Unicamp, estiveram envolvidas também Unesp, UFSCar, Unifesp e Faculdade Anhembi-Morumbi. O Observatório agora deve entrar numa segunda fase, mais voltada para as migrações contemporâneas no Estado. A primeira fase deu origem a 192 trabalhos apresentados em congressos nacionais, 102 em congressos internacionais, a 15 defesas de mestrado e a nove doutorados, envolvendo um total de 87 autores, e se estendeu de 2009 a 2013.

País tem 9,6 mi de jovens de 15 a 29 anos que não estudam nem trabalham

geração nem-nem BrasilA chamada ‘geração nem-nem’ é formada principalmente por mulheres, muitas com filhos, segundo estudo do IBGE

Uma população de 9,6 milhões de jovens de 15 a 29 anos que não estuda nem trabalha, formada principalmente por mulheres, muitas delas com filhos, é motivo de preocupação quando se estudam as condições de vida dos brasileiros, mostra estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgado nesta sexta-feira, 29. A Síntese de Indicadores Sociais 2013, com dados de 2012, mostra que um em cada cinco brasileiros (19,6%) nesta faixa etária não trabalhava nem frequentava escola. Na faixa de 18 a 24 anos, o índice é ainda mais preocupante, de quase um quarto (23,4%). “Não significa que são encostados ou que são um bando, mas é um fator preocupante, porque não é possível que pessoas desta idade não estudem nem trabalhem”, diz a técnica do IBGE Ana Saboia.

[Luciana Nunes Leal, Estadão, 29 nov 2013] Segundo Ana, os dados não permitem apontar as razões para número tão significativo da chamada “geração nem-nem” (nem estuda nem trabalha), mas, com relação às mulheres, a necessidade de cuidar dos filhos é um fator que contribui para não terem atividades produtivas. A proporção de jovens que não vão à escola e não têm emprego se mantém estável, com pequena redução: nos últimos dez anos: em 2002, eram 20,2% da população nesta faixa etária.

Os indicadores mostram que 70,3% dos jovens que não trabalham e não estudam são mulheres. Dessas jovens que não têm atividade produtiva, 58,4% tinham pelo menos um filho. A maior parte dos jovens “nem-nem” (38,6%) tem ensino médio completo, ou seja, deveria ter seguido para um curso superior ou ingressado no mercado de trabalho.

No outro extremo, um porcentual também alto, de 32,4%, sequer completou o ensino fundamental. O Nordeste é a região com maior proporção de jovens que não estudam nem trabalham, em todas as faixas etárias estudadas. Na faixa de 18 a 24 anos, Alagoas tem nada menos que 35,2% da população que não estuda nem trabalha. Na região metropolitana do Recife, o índice também é preocupante: 31,8% dos jovens de 18 a 24 anos não têm atividade produtiva.

Os domingos precisam de feriados ~ Nilton Bonder

© Holger DörnhoffToda sexta-feira à noite começa o Shabat para a tradição judaica. Shabat é o conceito que propõe descanso ao final do ciclo semanal de produção, inspirado no descanso divino no sétimo dia da Criação. Muito além de uma proposta trabalhista, entendemos a pausa como fundamental para a saúde de tudo o que é vivo.

A noite é pausa, o inverno é pausa, mesmo a morte é pausa. Onde não há pausa, a vida lentamente se extingue.

Para um mundo no qual funcionar 24 horas por dia parece não ser suficiente, onde o meio ambiente e a terra imploram por uma folga, onde nós mesmos não suportamos mais a falta de tempo, descansar se torna uma necessidade do planeta.

Hoje, o tempo de “pausa” é preenchido por diversão e alienação. Lazer não é feito de descanso, mas de ocupações para não nos ocuparmos. A própria palavra entretenimento indica o desejo de não parar. E a incapacidade de parar é uma forma de depressão. O mundo está deprimido e a indústria do entretenimento cresce nessas condições.

Nossas cidades se parecem cada vez mais com a Disneylândia. Longas filas para aproveitar experiências pouco interativas. Fim de dia com gosto de vazio. Um divertido que não é nem bom nem ruim. Dia pronto para ser esquecido, não fossem as fotos e a memória de uma expectativa frustrada que ninguém revela para não dar o gostinho ao próximo…

Entramos no milênio num mundo que é um grande shopping. A internet e a televisão não dormem. Não há mais insônia solitária; solitário é quem dorme. As bolsas do Ocidente e do Oriente se revezam fazendo do ganhar e perder, das informações e dos rumores, atividade incessante. A CNN inventou um tempo linear que só pode parar no fim.

Mas as paradas estão por toda a caminhada e por todo o processo. Sem acostamento, a vida parece fluir mais rápida e eficiente, mas ao custo fóbico de uma paisagem que passa. O futuro é tão rápido que se confunde com o presente.

As montanhas estão com olheiras, os rios precisam de um bom banho, as cidades de uma cochilada, o mar de umas férias, o domingo de um feriado…

Nossos namorados querem “ficar”, trocando o “ser” pelo “estar”.

Saímos da escravidão do século XIX para o leasing do século XXI – um dia seremos nossos?

Quem tem tempo não é sério, quem não tem tempo é importante.

Nunca fizemos tanto e realizamos tão pouco. Nunca tantos fizeram tanto por tão poucos…

Parar não é interromper. Muitas vezes continuar é que é uma interrupção. O dia de não trabalhar não é o dia de se distrair literalmente, ficar desatento. É um dia de atenção, de ser atencioso consigo e com sua vida.

A pergunta que as pessoas se fazem no descanso é: o que vamos fazer hoje? Já marcada pela ansiedade. E sonhamos com uma longevidade de 120 anos, quando não sabemos o que fazer numa tarde de domingo.

Quem ganha tempo, por definição, perde. Quem mata tempo, fere-se mortalmente. É este o grande “radical livre” que envelhece nossa alegria – o sonho de fazer do tempo uma mercadoria.

Em tempos de novo milênio, vamos resgatar coisas que são milenares. A pausa é que traz a surpresa e não o que vem depois. A pausa é que dá sentido à caminhada. A prática espiritual deste milênio será viver as pausas. Não haverá maior sábio do que aquele que souber quando algo terminou e quando algo vai começar.

Afinal, por que o Criador descansou?

Talvez porque, mais difícil do que iniciar um processo do nada, seja dá-lo como concluído.

O desejo de espiritualidade na sociedade contemporânea ~ Z. Bauman

leafPor reconhecimento geral, o sociólogo Zygmunt Bauman é um dos mais renomados intérpretes da condição humana da época atual. Nascido de pais judeus em 1925 em Poznan, na Polônia (embora resida há muitos anos na Inglaterra), Bauman cunhou a feliz imagem da “modernidade líquida” para indicar uma situação de incerteza difusa, em que parece desaparecer qualquer ponto estável de referência.

[Giulio Brotti, L’Osservatore Romano, 20 out 2013// IHU, 21 out, tradução Moisés Sbardelotto]. Eis a entrevista.

Depois de muitos anos, não parece ter se cumprido a profecia positivista pela qual a dimensão religiosa iria declinar fatalmente, com o progresso da modernidade: na América Latina, por exemplo, o pentecostalismo e o protestantismo evangélico têm um grande sucesso. Mas, quanto ao hemisfério Norte do planeta e à Europa em particular, que traços estão assumindo a fé e a espiritualidade nesta primeira parte do século XXI? A quais mudanças elas poderiam ir ao encontro no futuro próximo?

O meu colega Ulrich Beck, há alguns anos, publicou um livro intitulado Der eigene Gott (em edição italiana, Il Dio personale. La nascita della religiosità secolare [O Deus pessoal. O nascimento da religiosidade secular], Ed. Laterza). O argumento desse livro é o retorno da espiritualidade, ou talvez fosse mais correto dizer: do desejo de espiritualidade na sociedade contemporânea. Falando de um desejo, de um anseio, entende-se que ele se orienta a uma certa representação da espiritualidade, concebida como algo que poderia conferir um sentido pleno às nossas vidas, preenchendo-as.

Evidentemente, constata-se que os prazeres materiais (“da carne”, se diria tempos atrás) não bastam: é preciso um contato com algo que transcenda as nossas ocupações e preocupações cotidianas. No entanto, Beck defende – com razão, acredito eu – que esse retorno à cena da espiritualidade não corresponde necessariamente a uma adesão às instituições e aos códigos religiosos tradicionais. Ao contrário, a tendência que prevalece hoje não encontra como interlocutores naturais as Igrejas e, talvez, ao contrário do que você sugeria, nem mesmo as inúmeras seitas que confluem no vasto leito do pentecostalismo. Os gostos da nova espiritualidade não propendem pelos dogmas, pelas regras disciplinares compartilhadas: justamente para sublinhar essa novidade, Beck cunhou a fórmula do “Deus pessoal”.

Também poderíamos falar de uma religião à la carte: sobretudo os jovens operam uma seleção entre diversas fontes, às vezes decididamente exóticas, em outros casos escavando no interior da tradição católica ou, em menor medida, da anglicana e protestante. Prevalece, contudo, a atitude de hibridizar elementos diferentes, segundo as necessidades particulares e a sensibilidades dos indivíduos: nessa base, é muito difícil que se constituam grupos organizados, comunidades de fé, propriamente ditas.

Trata-se, em essência, de uma religião “psicológica”, destinada a tranquilizar e a consolar o sujeito humano?

É uma reação à instabilidade que caracteriza a vida na modernidade “líquida”: em uma época de incessantes e repentinas mudanças, busca-se uma faixa de terra para se poder plantar os pés firmemente. Um dos aspectos mais inquietantes do nosso tempo é que não se conseguem prever as consequências a médio prazo das decisões pessoais: são numerosos demais os fatores que interferem nos nossos projetos. Pensemos no que aconteceu há poucos dias nos Estados Unidos, onde, por causa do déficit do orçamento, centenas de milhares de funcionários públicos foram deixados em casa sem salário. E essa situação também pode ter pesadas recaídas na economia mundial inteira, em perspectiva. Busca-se, portanto, um ponto de ancoragem existencial, e essa exigência desemboca, em certos casos, em um neofundamentalismo religioso, mas também pode se expressar de forma diferente: ainda nestes dias, tomamos conhecimento pela imprensa que, na França, o Front National de Marine Le Pen é virtualmente o primeiro partido, segundo as pesquisas que lhe credenciam o favor de 24% dos eleitores, na perspectiva das eleições europeias.

A busca frenética por certezas também pode assumir um aspecto político?

Certamente, e pode até se traduzir na situação sui generis da política italiana, em que os partidos estão desesperadamente em busca de alguém para atacar e para desacreditar, não conseguindo se definir de modo positivo, mediante um programa próprio. O problema de uma incerteza difusa, no entanto, certamente não se deixa reduzir a uma questão interna à Itália: a perda de confiança é global, não se refere apenas a determinados partidos ou líderes, mas sim ao sistema da democracia representativa. O mundo inteiro entrou em uma fase de interregno, para usar uma expressão de Antonio Gramsci: a humanidade tenciona buscar desesperadamente dentro ou fora de si pontos de apoio para se manter de pé, ou freios para parar o fluxo indistinto que, caso contrário, ameaçaria derrubá-la.

Em nível coletivo, essa necessidade também se encontra no movimento dos Indignados, na Espanha, no Occupy Wall Street, em Nova York, ou nas reuniões na Praça Tahrir, no Cairo. Avança-se às apalpadelas, no escuro, em busca de modos para poder agir eficazmente: as instituições que tradicionalmente se faziam intérpretes das necessidades e das preocupações dos indivíduos, traduzindo-os em propostas políticas, não parecem mais à altura do desafio. Quanto tempo durará essa passagem e aonde chegaremos? Eu não acredito nos milagres em sentido tradicional, mas acredito nos milagres da realidade, por assim dizer: na abertura de novas estradas onde o percurso parecia bloqueado, na capacidade inventiva dos seres humanos. Nós, porém, por definição, não somos capazes de prever desde agora como essa capacidade poderá se expressar no futuro.

Atualmente, não parece justamente ter se atrofiado a capacidade de pensar sobre o futuro? A expectativa dos tempos messiânicos no judaísmo, a das coisas últimas no cristianismo sempre foram um elemento essencial dessas tradições religiosas. Agora, porém, tendemos a avançar à vista, como se o nosso horizonte temporal se reduzisse ao próximo fim de semana. A espiritualidade pode abrir mão da dimensão do futuro? Ela poderá sobreviver em uma condição de presente dilatado?

Não é fácil responder à pergunta que você me faz. Eu me limitaria a salientar que, nos nossos dias, a indústria do consumo propõe substitutos para a espiritualidade tradicional, fruíveis on the spot, no momento presente. Muitos produtores não se limitam a pôr no mercado bens materiais, mas os cercam com uma aura religiosa. As agências de viagens e as companhias aéreas, por exemplo, publicizam os destinos turísticos com a promessa de experiências imortais, de metas paradisíacas: os seus slogans muitas vezes são variações sobre o tema da imortalidade agora, a ser obtida imediatamente, e não depois que estivermos mortos. Visitando uma certa localidade, hospedando-se em um certo resort, assistindo a um show de rock, pode-se logo experimentar o que você pode imediatamente experimentar o que as pessoas religiosas esperam poder conseguir em outra vida. O modelo é o do café solúvel, que pode ser saboreado em poucos segundos, depois que o pó se dissolveu na água quente. As agências de marketing capitalizam o desejo de uma fuga da incerteza e da desconfiança difusas na modernidade líquida: as mercadorias atraem os possíveis compradores, prometendo-lhes uma redenção da insensatez normal da cotidianidade.

Como o senhor avalia a “novidade” do pontificado do Papa Bergoglio? Há oito meses, os seus gestos e palavras parecem ter induzido uma sensação de feliz desorientação em muitos observadores e comentaristas, crentes e não crentes. Pensemos, por exemplo, na insistência do papa sobre a necessidade de que a Igreja seja pobre, e na responsabilidade do Ocidente para com as populações do Sul do planeta.

Ah, eu estou encantado com o que Francisco [Bauman pronuncia o nome em italiano, sorrindo] está fazendo: acredito que o seu pontificado constitui uma oportunidade, não só para a Igreja Católica, mas para a humanidade inteira. O fato de o líder de uma grande confissão religiosa chamar a atenção do Norte do mundo sobre o destino dos mais miseráveis já é de enorme importância. Mas eu também fui ler o que ele afirmava em um texto seu de 1991, Corrupción y pecado (publicado na Itália pela Editrice Missionaria Italiana com o título Guarire dalla corruzione, Bolonha, 2013, 64 páginas). Nessas páginas, retornando à parábola evangélica do publicano pecador e do fariseu irrepreensível na implementação das obras da lei, ele sublinha como o relato depõe em favor do primeiro, do coletor de impostos.

Nesse livrinho, há algumas passagens muito bonitas sobre a maior gravidade da corrupção com relação ao pecado: “Poderíamos dizer – afirma Bergoglio, por exemplo – que o pecado é perdoado; a corrupção não pode ser perdoada. Simplesmente pelo fato de que, na raiz de qualquer atitude corrupta, há um cansaço da transcendência. Diante do Deus que não se cansa de perdoar, o corrupto se ergue como autossuficiente na expressão da sua salvação: cansa-se de pedir perdão”.

A rejeição do legalismo e a capacidade de Jorge Mario Bergoglio de tocar os corações das pessoas lembram a atitude semelhante de João XXIII. O atual papa é intrépido, eu diria, no seu modo de proceder: eu penso nos gestos que ele fez em Lampedusa, nos discursos dedicados aos “fora da casta” do mundo globalizado. Para voltar ao tema do qual havíamos começado, poderíamos afirmar que Bergoglio sabe falar à espiritualidade típica do nosso tempo: os seguidores do “Deus pessoal”, com efeito, não estão muito interessados nas prescrições morais emitidas pelos representantes das instituições religiosas, mas desejam reencontrar um sentido na fragmentariedade das suas existências individuais. Ainda estão à espera de um “evangelho”, na acepção original do termo – de uma boa notícia.

Os gestos e as palavras do Papa Francisco não poderiam contribuir para “recolocar em ação” justamente a religiosidade individualista do nosso tempo? Não poderiam oferecer-lhe uma perspectiva, impedindo que ela permaneça em uma espécie de limbo, sem relações com a realidade concreta?

É uma hipótese sugestiva a que você prospecta. Pessoalmente, permaneço à espera – com muita esperança e ansiedade, eu diria – dos futuros desenvolvimentos deste pontificado. Também fiquei impressionado com a ênfase que Bergoglio põe na prática do diálogo: um diálogo efetivo, que não deve ser conduzido escolhendo como interlocutores aqueles que, mais ou menos, pensam como você, mas se torna interessante quando você se confronta com pontos de vista realmente diferentes do seu. Nesse caso, realmente pode acontecer que os dialogantes sejam induzidos a modificar as próprias ideias com relação às posições iniciais. Nós temos uma urgente necessidade desse tipo de debate, porque somos chamados a gerir problemas de porte imenso, para os quais não dispomos de soluções já prontas: pensemos nas questões relativas ao fosso entre os ricos e uma considerável parte da população mundial, que ainda vive na miséria; ou na necessidade de frear a exploração indiscriminada dos recursos do planeta, de encontrar uma alternativa para um modelo de desenvolvimento – a expressão já soa irônica – que é claramente insustentável.

Todos esses problemas não param nas fronteiras nacionais: não dizem respeito aos italianos, em vez dos poloneses ou dos chineses, mas a humanidade no seu conjunto. E, de novo, parecem exigir não soluções temporárias, mas sim uma mudança radical do nosso modo de viver. A segunda parte do século passado, no campo econômico, foi dominada por dois pressupostos aparentemente indiscutíveis, que influenciaram profundamente os comportamentos individuais e coletivos dos seres humanos. O primeira foi que o Produto Interno Bruto de um país era a panaceia para todos os problemas sociais: aumentando o PIB, estes seriam automaticamente resolvidos; se, ao invés, o seu crescimento se bloqueasse ou – Deus me livre! – diminuísse, os equilíbrios sociais entrariam em crise. Em suma, o lema era: para enfrentar um problema coletivo, incrementar o PIB (e, portanto, também o consumo, porque o PIB ainda é medido sobre a quantidade de dinheiro que passa de mão em mão).

Qual era o segundo assunto?

Que a busca da felicidade andava de mãos dadas com o aumento do consumo: os lugares naturais de satisfação pessoal eram as lojas, em vez das relações sociais ou das atividades com as quais cada um podia ser útil aos seus semelhantes, cooperando com eles. Essas duas convicções produziram, de fato, uma grande quantidade de miséria material e espiritual, além de atacar gravemente os recursos naturais do planeta inteiro: de um lado, temos vivido acima dos nossos meios; de outro, descobrimos dolorosamente que a felicidade não pode ser comprada. Portanto, a todos nós hoje se pede que mudemos radicalmente a ordem das nossas vidas. Para expressar essa mesma ideia, o Papa Bergoglio provavelmente usaria um antigo termo da tradição cristã: conversão.

Why Nobody Wants to Go to Church Anymore

unchurchedThat’s the title of a new book written by Joani Schultz and Thom Schultz. And it’s a question those leaving are more than ready to answer. The problem is, few insiders are listening.

And, of course, that IS the problem.

In a recent issue of Christianity Today, for example, Ed Stetzer wrote an article entitled,“The State of the Church in America: Hint: It’s Not Dying.” He states: “The church is not dying… yes… in a transition… but transitioning is not the same as dying.”

[Steve McSwain, The Huffington Post, Oct 14, 2013] Really? What cartoons have you been watching?

Clearly, the Church is dying. Do your research, Mr. Stetzer. According to the Hartford Institute of Religion Research, more than 40 percent of Americans “say” they go to church weekly. As it turns out, however, less than 20 percent are actually in church. In other words, more than 80 percent of Americans are finding more fulfilling things to do on weekends.

Furthermore, somewhere between 4,000 and 7,000 churches close their doors every year. Southern Baptist researcher, Thom Rainer, in a recent article entitled “13 Issues for Churches in 2013” puts the estimate higher. He says between 8,000 and 10,000 churches will likely close this year.

Between the years 2010 and 2012, more than half of all churches in America added not one new member. Each year, nearly 3 million more previous churchgoers enter the ranks of the “religiously unaffiliated.”

Churches aren’t dying?

No, of course not. Churches will always be here. But you can be sure, churches are going through more than a mere “transition.” I study these things carefully. I counsel church leaders within every denomination in America, having crisscrossed this country for nearly two decades counseling congregations as small as two hundred in attendance to churches averaging nearly 20,000 in weekly attendance. As I see it, there are “7” changing trends impacting church-going in America. In this first of two articles, I’ll address the “7” trends impacting church-going. In the second part, I’ll offer several best practices that, as I see it, might reverse the trends contributing to the decline.

Trends Impacting Church Decline:

1. The demographic remapping of America.

Whites are the majority today at 64 percent. In 30 to 40 years, they will be the minority. One in every three people you meet on the street in three to four decades will be of Hispanic origin. In other words, if you are not reaching Hispanics today, your church’s shelf life is already in question.

Furthermore, America is aging. Go into almost any traditional, mainline church in America, observe the attendees and you’ll quickly see a disproportionate number of gray-headed folks in comparison to all the others. According to Pew Research, every day for the next 16 years, 10,000 new baby boomers will enter retirement. If you cannot see where this is headed, my friend, there is not much you can see.

2. Technology.

Technology is changing everything we do, including how we “do” church. Yet, there are scores of churches that are still operating in the age of the Industrial Revolution. Instead of embracing the technology and adapting their worship experiences to include the technology, scores of traditional churches, mainline Protestant, and almost all Catholic churches do not utilize the very instruments that, without which, few Millennials would know how to communicate or interact.

However, when I suggest to pastors and priests, as I frequently do, that they should use social media and, even in worship, they should, for example, right smack in the middle of a sermon, ask the youth and young adults to text their questions about the sermon’s topic… that you’ll retrieve them on your smartphone… and, before dismissing, answer the three best questions about today’s sermon, most of the ministers look at me as if I’ve lost my mind. What they should be more concerned about is why the Millennials have little or no interest in what they have to say.

3. Leadership Crisis

Enough has been written about this in the past. But you can be sure, clergy abuse, the cover-up by the Church, and fundamentalist preachers and congregations have been driving people away from the Church, and continue to drive people away, faster than any other causes combined.

4. Competition

People have more choices on weekends than simply going to church. Further, the feelings of shame and guilt many people used to feel and church leaders used to promote for not attending church every week is gone.

There are still those, however, who want to categorize Christians as an explanation for the church’s decline in attendance in a futile effort to make things not look so bad. But this, too, is the illusion that many church leaders and denominational executives are perpetrating but nobody is paying attention. They are just too blind to see that.

For example, in the very same article I referenced above, Ed Stetzer has concocted three different categories of Christians he conveniently thinks explains the dire situation faced by the church.

He says there is a kind of “classification” system between those who “profess Christianity” as their faith choice.

  • First, he says there are cultural Christians or those who “believe” themselves to be Christians simply because their culture says they are. But, clearly, he implies they are not.
  • Second, he classifies a group of congregational Christians which he says are not much better off than the first misguided group, except that these are loosely connected to the church.
  • Third, he notes the third group, which no doubt he ranks as “his” group, that he calls the convictional Christians. These are the true Christians who are actually living their faith, according to Ed Stetzer.

I’ve got news for you, Mr. Stetzer, there are scores of people who have left the church, not because they possess some phony or inferior faith, as you would like to believe, but precisely because they do not want to be around judgmental people like you. They have left, not to abandon their faith, but precisely because they wish to preserve it. You would be much better off to leave the judgment-making to Someone infinitely more qualified to do so (Matt. 7:1).

5. Religious Pluralism

Speaking of competition, there is a fifth trend impacting the decline of the church in America. People have more choices today. Credit this to the social changes in the ’60s, to the Internet, to the influx of immigrants and minorities, to whatever you’d like, but the fact is, people today meet other people today of entirely different faith traditions and, if they are discovering anything at all, it is that there are scores of people who live as much, if not more, like Christ than many of the Christians they used to sit beside in church.

The diversity of this nation is only going to expand. Which is why, you might debate some of Diana Eck’s conclusions, the Harvard scholar and researcher, but her basic premise in correctly stated in the title of her book, A New Religious America: How a ‘Christian Country’ Has Become the World’s Most Religiously Diverse Nation.

6. The “Contemporary” Worship Experience

This, too, has contributed to the decline of the church. It’s been the trend in the last couple of decades for traditional, mainline churches to pretend to be something they’re not. Many of them have experimented with praise bands, the installation of screens, praise music, leisure dress on the platform, and… well… you know how well that’s been received.

Frankly, it has largely proven to be a fatal mistake. Of course, there are exceptions to this everywhere and especially in those churches where there is an un-traditional look already, staging, an amphitheater-style seating, as well as the budget to hire the finest musicians to perform for worship. In traditional, mainline churches, however, trying to make a stained-glass atmosphere pass as the contemporary worship place has met with about as much success as a karaoke singer auditioning for The X Factor.

7. Phony Advertising

There’s one more trend I’ll mention I believe is having devastating impact on the Church and most certainly contributing to its decline. You cannot tell Millennials that your church welcomes everybody — that all can come to Jesus — and then, when they come, what they find are few mixed races or no mixed couples.

You cannot say, “Everybody is welcome here if, by that, you really mean, so long as you’re like the rest of us, straight and in a traditional family.”

In the words of Rachel Evans, a millennial herself and a blogger for CNN, “Having been advertised to our whole lives, we millennials have highly sensitive BS meters.”

In other words, cut the bull. If everyone is not really equally welcomed to the table at your church, stop advertising that you are open to anyone. That is not only a lie, but Millennials can see through the phony façade as clearly as an astronomer, looking through the Hubble telescope, can see the infinity of space.

There are other trends. These are just a few of them. In Part Two, I’ll offer some “best practices” I think the Church should seriously consider if it ever plans to get real and honest about its future and its influence on culture and society.

Crack: novos estudos desmentem mitos

Carl HartMuito antes de ele trazer pessoas para seu laboratório, na Universidade de Columbia, para fumar crack, Carl Hart viu os efeitos da droga em primeira mão. Crescendo na pobreza, ele assistiu os parentes se tornarem viciados em crack, vivendo na miséria e roubando de suas mães. Amigos de infância acabaram em prisões e necrotérios.

[New York Times, 16 set 2013; tradução “Visão Ampla”] Esses viciados pareciam escravizados pelo crack, como ratos de laboratório que não conseguiam parar de pressionar a alavanca para obter mais cocaína, mesmo quando eles estavam morrendo de fome. O crack fornecia a poderosa dopamina ao centro de recompensa do cérebro, de modo que os viciados não poderiam resistir a uma outra dose. Continue lendo

Six reasons young christians leave church

Young-Adults-Quit-Church

Many parents and church leaders wonder how to most effectively cultivate durable faith in the lives of young people.

A five-year project headed by Barna Group president David Kinnaman explores the opportunities and challenges of faith development among teens and young adults within a rapidly shifting culture. The findings of the research are included in a new book by Kinnaman titled You Lost Me: Why Young Christians are Leaving Church and Rethinking Church.

The research project was comprised of eight national studies, including interviews with teenagers, young adults, parents, youth pastors, and senior pastors. The study of young adults focused on those who were regular churchgoers Christian church during their teen years and explored their reasons for disconnection from church life after age 15.

No single reason dominated the break-up between church and young adults. Instead, a variety of reasons emerged. Overall, the research uncovered six significant themes why nearly three out of every five young Christians (59%) disconnect either permanently or for an extended period of time from church life after age 15. Continue lendo

Mapa da Violência 2013 – Homicídios e Juventude no Brasil

Mapa da Violencia 2013 capaPanorama da evolução da violência dirigida contra os jovens no período compreendido entre 1980 e 2011, analisando os dados de Estados, Capitais e Municípios, aprofundando nas questões de gênero e de raça/cor das vítimas.

Versão Completa (PDF)

Taxa de suicídio entre jovens cresce 30% em 25 anos no Brasil

suicidios no brasil

É uma das primeiras causas de morte em homens jovens nos países desenvolvidos e emergentes. Mata 26 brasileiros por dia. E ninguém quer falar no assunto.

[Iara Biderman, Folha SP, 11 jun 13] No Brasil, a taxa de suicídio entre adolescentes e jovens aumentou pelo menos 30% nos últimos 25 anos. O crescimento é maior do que o da média da população, segundo o psiquiatra José Manoel Bertolote, autor de “O Suicídio e sua Prevenção” (ed. Unesp, 142 págs., R$ 18). Continue lendo

A face oculta do novo ~ Lee Siegel

© Martin Waldbauer

A notícia causou frisson na minha cidade suburbana ao lado de Nova York. Um rapaz de 17 anos, a poucas semanas de concluir o ensino secundário, parou diante de um trem de subúrbio em movimento, Teve morte instantânea.

[O Estado de S.Paulo, 9 jun 13] Como sempre ocorre quando se noticia um suicídio, a questão de por que ele o fez torturou familiares e amigos do jovem. Atormentou estranhos, também, porque o suicídio é o mais íntimo dos tipos de violência. Ele nos faz perguntar não somente por que determinada pessoa o cometeu, mas por que alguém o faria, confrontando-nos assim com o aspecto mais despojado da existência. Mas desta vez a tentativa de entender o mistério por trás de um suicídio cobriu-se de especial urgência. É que, segundo estudo divulgado algumas semanas atrás, o número de americanos que estão se matando atingiu um nível sem precedentes.

No período de 1999 a 2010, o suicídio de americanos entre 35 e 64 anos de idade cresceu quase 30%. Mais pessoas nos Estados Unidos morrem hoje pelas próprias mãos do que em acidentes de carro. Entre homens na faixa dos 50 anos, a taxa de suicídio cresceu 50%. Continue lendo